O que é que eu vou fazer com essa tal diversidade?

Essa semana andei pensando muito sobre Diversidade. Especialmente, sobre como posso ter um papel mais atuante a respeito desse tema que, parece que não, mas ainda é um grande tabu. Fato: nos últimos anos, a humanidade teve um crescimento absurdo, como jamais poderíamos imaginar. A tecnologia nos deu espaços virtuais democráticos. Hoje, nossa opinião pode flutuar pelas redes sociais, viajar por reposts e ser vista rapidamente em stories ou em um resumo de poucos caracteres. Mas, sempre me pergunto: será que temos ideia do quanto o mundo é diverso? Atualmente, estão contabilizadas mais de 500 etnias, mais de 50 identidades de gênero e orientações sexuais, além das religiões – entre grandes e médias são mais de 20. E o Brasil, em sua extensão continental, reflete essa diversidade. Mas, mesmo em um país diverso como é o Brasil, muitas pessoas e organizações ainda se perguntam: o que fazer com essa tal diversidade?

Quando o tema surgiu aqui, na década de 90, encabeçado pelas multinacionais que atuavam no país e acompanhado pelas lutas sociais contra as desigualdades, as empresas acataram, mas não como política ou cultura, e sim como obrigação, resultando nas famosas cotas – entre elas a racial – e se limitavam a campanhas e banners de arco-íris, muitas vezes apenas pontuais, atrelados a datas como o Dia da Mulher, Dia da Consciência Negra e o Dia do Orgulho LGBTQI+, por exemplo.

Isso basta?

Mas isso não tem efetividade para a redução das desigualdades e para a implantação da diversidade. E os números confirmam! Ainda que hoje, as organizações busquem diversificar seu time, um levantamento do Instituto Ethos, com as 500 maiores corporações do país, aponta que apenas 14% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. Já os negros representam apenas 6,3% das posições de gerência e 4,7% dos quadros executivos, ainda que os negros sejam mais da metade da população brasileira.

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Diversidade alavanca performance

Com o passar dos anos e com a disseminação da diversidade, principalmente a de gênero, as empresas começaram a perceber a relação entre diversidade e performance, que pode ser explicada por benefícios como acesso a diferentes talentos, profundidade dos insights e fortalecimento do engajamento dos funcionários. E, para isso, também se baseiam nos números! O relatório da Mckinsey mostra que o potencial de aumento no faturamento é 15% maior em empresas com mulheres em cargos de liderança e 33% superior com relação a diversidade étnica e cultural.

As empresas que possuem o mindset digital em seu DNA sabem que, quanto mais diverso seu quadro, mais resultados elas têm. As empresas que estão passando pela transformação digital – e que até a década de 90 eram segmentadas – formadas quase que exclusivamente por homens héteros, brancos, classe média – estão entendendo que se tiverem um ecossistema diverso, irão ampliar sua visão, trazendo novas lentes e, com isso, novas e melhores ideias e perspectivas.

Neste contexto, a diversidade é também uma aliada, pois essas múltiplas visões podem ajudar a evitar crises e conflitos de todos os tipos. As empresas só irão entender e reconhecer os problemas da sociedade se uma grande parte da população fizer parte delas.

Diversidade é inovação

Uma empresa diversa é uma empresa inovadora e esta inovação se traduz em seu crescimento e no aumento de seu valor de mercado, bem como no maior número de lançamentos de novos produtos e registros de patentes, por exemplo.

Foi o que demonstrou um estudo da Universidade do Estado da Carolina do Norte e da Universidade Estadual de Portland com mais de três mil grandes companhias americanas. Os resultados mostraram que as companhias que mais investem em políticas e práticas de diversidade e inclusão viram seu valor subir e, promoveram dois lançamentos de produtos a mais do que as demais.

Diversidade em cargos de liderança

A diversidade de gênero em cargos de liderança melhora o desempenho e o lucro das empresas. Um novo estudo conduzido pela consultoria McKinsey, que analisou 700 empresas de capital aberto na América Latina, comparou gênero e dados financeiros, e demonstrou que as companhias que possuem pelo menos uma mulher em seu time de executivos são mais lucrativas. 

Além disso, as empresas devem priorizar candidatos diversos, avaliando suas competências e não sua aparência. O recrutamento às cegas é uma boa alternativa para eliminar preconceitos e promover uma seleção mais justa, e já está sendo utilizado por muitas das grandes empresas que conhecemos como Danone e Nubank, por exemplo. A seleção é feita online na primeira fase e ignora dados como gênero, idade e escolaridade, avaliando apenas as habilidades e competências do candidato. Após esse primeiro filtro, há o contato pessoal, com os concorrentes escolhidos para a segunda fase. 

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Diversidade é estratégia

Para que a diversidade seja incorporada – pelas empresas e seus colaboradores – de forma natural e fluida, é necessário criar uma cultura na qual a diversidade seja respeitada e entre na agenda estratégica da organização e para que a política e a prática de diversidade seja de cima para baixo (em inglês topdown). Desta forma, a empresa inteira sabe que ali se preza pela diversidade e isso determina o comportamento das pessoas – dentro e fora do expediente, como nas redes sociais, por exemplo.

Em uma organização que possui uma cultura de diversidade estruturada, alinhada às estratégias do negócio, é inadmissível um funcionário preconceituoso, pois entende-se que isso contradiz todos os preceitos e filosofias da organização. Um bom exemplo é a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que não vai mais aceitar a associação de advogados que tenham sido investigados ou processados por casos de homofobia. E hoje, são inúmeros os exemplos de organizações que trazem para a discussão, para o seu ecossistema o tema da diversidade. 

Mas, de novo, não basta apenas dizer ou incentivar  o respeito por meio de campanhas sazonais. É preciso implementar um programa de diversidade que faça parte do seu ecossistema como um todo, com ações constantes como workshops, treinamentos etc., que não somente combatam os preconceitos e a discriminação, mas que permita que a diversidade seja um fator decisivo para o sucesso. 

E voltando ao começo deste texto, minha reflexão é: o que podemos fazer juntos para melhorar a sua organização? Como podemos fazer com que a diversidade faça parte da agenda estratégica da sua organização?

Um bom começo, é criarmos juntos. 

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